quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sobre esse embate infinito...


Nem a religião, nem a ciência podem oferecer verdades absolutas. Calma, antes que os crentes ou os céticos radicais se levantem, quero dizer que qualquer “verdade” pode ser, de fato, uma verdade. O que, no entanto, não significa que possamos prová-la de forma definitiva e absoluta. Acho que mais irritante para os ateus radicais do que o fiel que grita com todas as forças que seu deus existe, são os ateus radicais que gritam para todos que deus não existe, de forma alguma.

Eu gosto da dúvida, justamente porque ela me deixa flutuar entre essas suas verdades, ambas arbitrárias. Em um Universo como o nosso, em que tão pouco sabemos além de conhecimentos que nos indicam minimamente o funcionamento de algumas coisas e nos permitem, precariamente, intervir, acho que é um pouco demais chamarmos a nossa ciência de verdade absoluta e nos proclamarmos certos de que, se algo não foi provado por nós, ele não existe. Eu digo o seguinte: se quando eu morrer, eu descobrir que estamos em um tipo de Matrix, que vivemos nas células de outros organismos, ou que, até mesmo, na verdade estamos cercados de unicórnios verdes que não podemos enxergar (exceto talvez alguns sob o efeito de drogas – então sim, até aqueles pirados do cogumelo que acham que deus vem à Terra em forma de THC podem estar certos!); nenhuma dessas opções me surpreenderia. Me dou ao direito de duvidar de tudo, mas também de não afirmar, com certeza, que tal coisa é fato e outra é mentira. Afirmar com toda certeza que algo não existe é uma forma de crença tanto quanto afirmar com toda certeza que ela, sim, existe. O poder da dúvida, e o famoso “só sei que nada sei”, é a potência, e a premissa, para o conhecimento, ainda que depois de adquirir algum tenhamos sempre que duvidar do mesmo.

Isso não significa que não se deva fazer ciência, ou mesmo religião, muito pelo contrário: estes são os meios que possuímos para tentar responder às perguntas que nunca terão, de fato, respostas. Talvez isto seja o interessante de tudo isso, essa busca que vale à pena mesmo que não indique nenhum ponto de chegada. Toda nossa vida, afinal, é assim, não é? O ponto de chegada é uma incógnita, o importante mesmo é que fazemos no entremeio, neste tempo sem muita explicação, entre os mistérios do nascimento e da morte.



"All religions, arts and sciences are branches of the same tree. All these aspirations are directed toward ennobling man's life, lifting it from the sphere of mere physical existence and leading the individual towards freedom." - Albert Einstein