segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

As noites destes amanhãs



Pra hoje, um texto antigo...



Os amanhãs são o problema. É incrivelmente clichê roubar palavras de Chico, e, no entanto, é só nas “noites eternas” que eu consigo pensar, quando aqueles momentos me vêm à mente. E é claro que elas pressupõem um amanhã, que vem sempre cheio de dúvidas e saudade. É nas manhãs do amanhã que as noites de ontem parecem uma mentira, não sua ou inventada por mim, mas uma cilada do próprio tempo, da própria distância. E nesses amanhãs eu tenho a vontade de dizer que devemos acabar com as noites, mas o simples pensamento delas me faz silenciar e aguardá-las, ansiosamente. Porque outras das minhas noites se repetem mais frequentemente, outras noites têm amanhãs que não consistem em um problema. Mas só as nossas são eternas.
Talvez eu tenha que esperar dias, semanas, meses, por elas. E no meio tempo eu me divirto - não se preocupe -, eu me divirto muito. E só sofro de vez em quando, de saudades, ciúmes, e todos esses efeitos colaterais que me trazem os amanhãs. Mas, por enquanto, as noites são eternas, e não me importo de esperar por elas. Ou por uma desistência sua, ou uma nova paixão minha, ou algum obstáculo maior que nos impossibilite de vez. Enquanto isso, elas permanecem sendo. Eternas.

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