Pra hoje, um texto antigo...
Os amanhãs são o
problema. É incrivelmente clichê roubar palavras de Chico, e, no entanto, é só
nas “noites eternas” que eu consigo pensar, quando aqueles momentos me vêm à
mente. E é claro que elas pressupõem um amanhã, que vem sempre cheio de dúvidas
e saudade. É nas manhãs do amanhã que as noites de ontem parecem uma mentira,
não sua ou inventada por mim, mas uma cilada do próprio tempo, da própria
distância. E nesses amanhãs eu tenho a vontade de dizer que devemos acabar com
as noites, mas o simples pensamento delas me faz silenciar e aguardá-las,
ansiosamente. Porque outras das minhas noites se repetem mais frequentemente,
outras noites têm amanhãs que não consistem em um problema. Mas só as nossas
são eternas.
Talvez eu tenha que
esperar dias, semanas, meses, por elas. E no meio tempo eu me divirto - não se
preocupe -, eu me divirto muito. E só sofro de vez em quando, de saudades,
ciúmes, e todos esses efeitos colaterais que me trazem os amanhãs. Mas, por
enquanto, as noites são eternas, e não me importo de esperar por elas. Ou por
uma desistência sua, ou uma nova paixão minha, ou algum obstáculo maior que nos
impossibilite de vez. Enquanto isso, elas permanecem sendo. Eternas.
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